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Ruas Expostas

Um blogue em português sobre fotografia e fotografia de rua, por Orlando Figueiredo

Ruas Expostas

Um blogue em português sobre fotografia e fotografia de rua, por Orlando Figueiredo

American Bedroom, por Barbara Peacock

O projecto American Bedroom de Barbara Peacock mostra-nos um retrato dos Estados Unidos composto por vários retratos indiscretos que revelam os americanos nos seus quartos. As imagens, decoradas com concisas citações mais ou menos poéticas que esclarecem cada uma das histórias aí contadas, estão cheias de detalhes subtis que nos convidam a contemplar as idiossincrasias de cada vida enigmática e exposta ao olhar intrometido do público. Barbara desmonta as visões reducionistas das políticas do corpo, de família ou da diversidade americana, mostrando que a população americana é, de facto, uma multidão, não só em número, mas em diversidade e beleza.

As fotos podem ser vistas no instagram em @barbara.peacock_abedroom/ ou no website da autora em www.americanbedroomseries.com.

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Ficam aqui duas fotografias, e respetivas ligações para o instagram, das muitas favoritas:

American Bedroom - David and Wade ‘The best part of every weekend day is waking up with the one you love, knowing you have nothing to do that day but be together.’

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The Belfon Family - Meg - age 35 ‘Burning the tatter tots, cleaning up messes and getting the kids to school late is just part of life. Blending this big family is the hardest thing I have ever been a part of but the love and support has become the greatest gift and teacher, not just for me but for all of us.’ Denver, Colorado.

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📷

publicado às 06:04

Testemunhos Fotográficos de Um Século de Amor entre Homens

LOVING: A Photographic History of Men in Love, 1850s—1950s (5Continents, 2020) é um um livro de fotos, capturadas entre os anos 50 do séc. XIX e os anos 50 do séc. XX, que testemunham o amor entre homens. O livro resulta de uma coleção que os autores, Hugh Nini e Neal Treadwell — lovingbynealandhugh —, gays, casados, recolheram ao longo de duas décadas. A recolha foi feita junto de famílias que generosamente cederam as fotos, em mercados de velharias e feiras da ladra, sobretudo nos Estados Unidos, mas também, entre outros paíse, na Austrália, Bulgária, Canadá, Croácia, França, Alemanha, Portugal, Japão, Estónia, Letónia e Reino Unido, como nos descrevem os autores na introdução An Accidental Collection — Uma Coleção Acidental.

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www.loving1000.org

As fotografias são testemunhos de atos de ternura, de gestos cúmplices e sorrisos coniventes que denunciam a paixão. Lábios entreabertos que parecem querer deixar sair uma frase que nunca escutaremos. São testemunhos de uma coragem pretérita que inspira o contemporâneo.

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O livro vem acompanhado de um lúcido e belo ensaio, Amantes Amentes - foolish lovers, amour fou, amantes loucos - de Paolo Maria Noseda.

É uma fresta que se abre para o que pode ter sido a vida dos protagonistas retratados, numa época em que o amor entre homens era ilegal e os amantes, frequentemente, alvo de violentas repressões. São faces de homens a quem o amor deu coragem para enfrentar a exclusão e a discriminação.

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Folhear o livro é olhar para o passado de todas as pessoas LGBTI; um olhar que transparece uma completude que conforta, a luta que ainda está longe de estar ganha. É compreender que não se está isolado ao longo da história. É ver que outros, como que facilmente nos identificamos, tiveram de travar lutas idênticas em condições mais adversas, mas que, em muitos locais do mundo se mantêm quase dois séculos depois das primeiras fotografias terem sido tiradas.

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A Coleção de fotos recolhidas por Hugh Nini & Neal Treadwell é uma mostra de amor documentada fotograficamente. Aos protagonistas, os casais apaixonados, não passou, com certeza, pela cabeça que um dia, as suas fotos secretas, testemunhos de quanto eles significaram um para o outro, seriam publicadas num livro e testemunhariam o amor entre homens através dos tempos.

A câmara [fotográfica] foi inventada em 1939 por Fox Talbot. Nos meros trinta anos que sucederam à invenção deste aparelho de elites, a fotografia era usada com fins policiais, reportagem, reconhecimento militar, pornografia, documentação enciclopédica, álbuns de família, postais ilustrados, registos antropológicos (frequentemente, tal como foi o caso dos índios dos Estados Unidos, acompanhado por genocídio), moralização sentimental, sondagem inquisitiva (nomeada incorretamente de câmara cândida), efeitos estéticos, reportagem jornalística e retrato formal.

John Berger: Understanding a Photograph

Surpreendente seria se, nesses meros trinta anos e nos outros que se seguiram,  a fotografia não tivesse sido também utilizada para documentar e testemunhar o amor.

Todas as fotografias foram disponibilizadas por cortesia de Hugh Nini e Neal Treadwell.

publicado às 19:04

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