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Ruas Expostas

Um blogue em português sobre fotografia e fotografia de rua, por Orlando Figueiredo

Ruas Expostas

Um blogue em português sobre fotografia e fotografia de rua, por Orlando Figueiredo

Caderno 1: O que é a Fotografia de Rua?

Folha 1: Uma tentativa frustrada de definição

Índice do Caderno 1: O que é a Fotografia de Rua?

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Mais conhecida pelo seu nome em inglês — Street Photography — a Fotografia de Rua é um género fotográfico abrangente e difícil de definir. É uma prática de registo do quotidiano que assume sentidos distintos para diferentes pessoas. Uma significação simples de fotografia de rua poderia ser a de um trabalho fotográfico, feito num local público, que busca narrar uma história, no contexto de um cenário quotidiano, efémero, espontâneo e cândido, mais ou menos trivial, onde é central a componente humana. O conceito é amplo e interseta outros géneros fotográficos, como o documental e o fotojornalismo, como discutiremos noutros posts. A fotografia de rua, que pretende documentar o quotidiano humano, não conduz, necessariamente, à exposição direta do humano (individual ou grupal), mas pode exprimi-lo de forma meramente sugestiva, recorrendo a figuras de estilo diversas como a metáfora, a alegoria, a elipse, a hipérbole, a antítese ou mesmo o eufemismo.

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A fotografia Miúdos de bicicleta — de Orlando Figueiredo — acima, foi tirada no dia 26 de maio de 2019 na 8.ª Avenida, em Nova York. A fotografia foi selecionada para a coleção e photobook Portrait of Humanity 2020, uma iniciativa conjunta de 1854 Media e British Journal of Photography.

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Neste sentido a fotografia de rua situa-se entre (ou é um híbrido d’) a arte e (d’)o documentário. Fruto da expressão criativa do fotógrafo e do testemunho que este quer dar do quotidiano do humano, a fotografia de rua conjuga elementos artísticos - como a cor (ou a ausência dela) e a composição - e elementos sociais - como o assunto que o fotógrafo pretende retratar ou a história que pretende narrar. Ainda que seja mais comummente tida como uma manifestação artística, a dimensão sociocultural da fotografia de rua não é descurável e, dependendo da motivação, o fotógrafo pode valorizar uma dimensão mais estética e artística ou abraçar a esfera do testemunho sociocultural ou o registo etnográfico. Porém, mesmo quando se opta por uma dimensão puramente artística, a espontaneidade e efemeridade da cena fotografada levam a frequentes quebras das regras mais (e menos) ortodoxas da composição fotográfica.

Quais as características que uma foto deve ter para ser enquadrada neste género? Tem de ser uma foto cândida, garantindo a espontaneidade do momento ou pode ter um certo grau de encenação? A cores ou a preto e branco? Deve ter por palco as ruas de uma cidade ou pode ter por cenário outros contextos, inclusive rurais ou naturais? Tem de possuir obrigatoriamente um elemento humano explicito? Tem de obedecer escrupulosamente às regras de composição ou terá o fotógrafo o direito a uma liberdade artística que lhe permite exposições menos ortodoxas? Independentemente das respostas que possamos dar a cada uma das perguntas, o que é inegável é que a fotografia de rua é um género fotográfico tão antigo como a própria fotografia e são inúmeros os fotógrafos que, ao longo da história da fotografia, se dedicaram a este género fotográfico.

 

publicado às 13:10

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