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Ruas Expostas

Um blogue em português sobre fotografia e fotografia de rua, por Orlando Figueiredo

Ruas Expostas

Um blogue em português sobre fotografia e fotografia de rua, por Orlando Figueiredo

Aberto o concurso Novos Talentos FNAC 21

Categoria fotografia

Até ao dia 30 de abril podes enviar o teu portfólio de, no mínimo, 12 imagens originais para entrares na categoria de fotografia dos Novos Talentos Fnac 21. Serão distinguidos 1 vencedor e 2 menções honrosas por um júri especializado composto por Mário Cruz (fotojornalista da Lusa e vencedor do World Press Photo 2016, categoria Assuntos Contemporâneos), Augusto Brázio (Fotógrafo), Francisco Feio (professor de fotografia) e Sérgio B. Gomes (jornalista do Público).

 

 

publicado às 09:37

Urban Photo Awards 2021

Bruce Gilden, presidente do júri

Bruce Gilden será o presidente do júri do concurso fotográfico Urban Photo Awards 2021. Gilden sucede ao britânico Martin Parr (2019) e ao californiano Alex Webb (2020), dois nomes bem conhecidos dos amantes da Fotografia de Rua.

Mr Bruce Gilden on Brick Lane (2012), por Chris JL

Mr Bruce Gilden on Brick Lane (2012), Chris JL - Cortesia de Chris JL (CC BY-NC-ND 2.0)

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publicado às 15:52

Caderno 1: O que é a Fotografia de Rua?

Folha 2: Candura e espontaneidade do momento

Índice do Caderno 1: O que é a Fotografia de Rua?

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Na Folha 1 deste Caderno, onde tentámos definir o que é a Fotografia de Rua, terminámos com um conjunto de perguntas que procuram identificar características deste género fotográfico. As questões aí levantadas serão discutidas num conjunto de postagens de que esta é a primeira. A resposta à primeira pergunta,

Tem [uma fotografia de rua] de ser uma foto cândida, garantindo a espontaneidade do momento ou pode ter um certo grau de encenação?,

está longe de ser um simples sim ou não. A resposta prende-se com fatores diversos que vão desde as interceções deste com outros géneros fotográficos, às questões estéticas, artísticas e de composição ou, simplesmente, as limitações técnicas impostas pelo equipamento fotográfico usado.

Em 1877, o fotógrafo escocês John Thomson (1837-1921) e o jornalista Adolphe Smith (1846-1924) publicaram, o livro Street life in London. A técnica do colódio húmido, usada pelo fotógrafo e muito comum na época, impediu qualquer pretensão de espontaneidade e candidez nas fotos de Thomson. Esta técnica, apesar de ter sido revolucionária na sua redução, necessita de tempos de exposição da ordem dos vários segundos, o que obrigou o fotógrafo a encenar situações do quotidiano das ruas londrinas. Além disso, as placas de colódio húmido exigem uma parafernália de instrumentos que o fotógrafo tem de transportar consigo, geralmente, num pequeno carrinho.

London Nomads - 'Street Life in London', 1877, John Thomson and Adolphe Smith

London Nomads - 'Street Life in London', 1877, John Thomson e Adolphe Smith - Cortesia de LSE Digital Library (CC BY-NC-SA 3.0)

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publicado às 18:27

Caderno 1: O que é a Fotografia de Rua?

Folha 1: Uma tentativa frustrada de definição

Índice do Caderno 1: O que é a Fotografia de Rua?

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Mais conhecida pelo seu nome em inglês — Street Photography — a Fotografia de Rua é um género fotográfico abrangente e difícil de definir. É uma prática de registo do quotidiano que assume sentidos distintos para diferentes pessoas. Uma significação simples de fotografia de rua poderia ser a de um trabalho fotográfico, feito num local público, que busca narrar uma história, no contexto de um cenário quotidiano, efémero, espontâneo e cândido, mais ou menos trivial, onde é central a componente humana. O conceito é amplo e interseta outros géneros fotográficos, como o documental e o fotojornalismo, como discutiremos noutros posts. A fotografia de rua, que pretende documentar o quotidiano humano, não conduz, necessariamente, à exposição direta do humano (individual ou grupal), mas pode exprimi-lo de forma meramente sugestiva, recorrendo a figuras de estilo diversas como a metáfora, a alegoria, a elipse, a hipérbole, a antítese ou mesmo o eufemismo.

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A fotografia Miúdos de bicicleta — de Orlando Figueiredo — acima, foi tirada no dia 26 de maio de 2019 na 8.ª Avenida, em Nova York. A fotografia foi selecionada para a coleção e photobook Portrait of Humanity 2020, uma iniciativa conjunta de 1854 Media e British Journal of Photography.

 

publicado às 13:10

Testemunhos Fotográficos de Um Século de Amor entre Homens

LOVING: A Photographic History of Men in Love, 1850s—1950s (5Continents, 2020) é um um livro de fotos, capturadas entre os anos 50 do séc. XIX e os anos 50 do séc. XX, que testemunham o amor entre homens. O livro resulta de uma coleção que os autores, Hugh Nini e Neal Treadwell — lovingbynealandhugh —, gays, casados, recolheram ao longo de duas décadas. A recolha foi feita junto de famílias que generosamente cederam as fotos, em mercados de velharias e feiras da ladra, sobretudo nos Estados Unidos, mas também, entre outros paíse, na Austrália, Bulgária, Canadá, Croácia, França, Alemanha, Portugal, Japão, Estónia, Letónia e Reino Unido, como nos descrevem os autores na introdução An Accidental Collection — Uma Coleção Acidental.

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www.loving1000.org

As fotografias são testemunhos de atos de ternura, de gestos cúmplices e sorrisos coniventes que denunciam a paixão. Lábios entreabertos que parecem querer deixar sair uma frase que nunca escutaremos. São testemunhos de uma coragem pretérita que inspira o contemporâneo.

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O livro vem acompanhado de um lúcido e belo ensaio, Amantes Amentes - foolish lovers, amour fou, amantes loucos - de Paolo Maria Noseda.

É uma fresta que se abre para o que pode ter sido a vida dos protagonistas retratados, numa época em que o amor entre homens era ilegal e os amantes, frequentemente, alvo de violentas repressões. São faces de homens a quem o amor deu coragem para enfrentar a exclusão e a discriminação.

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Folhear o livro é olhar para o passado de todas as pessoas LGBTI; um olhar que transparece uma completude que conforta, a luta que ainda está longe de estar ganha. É compreender que não se está isolado ao longo da história. É ver que outros, como que facilmente nos identificamos, tiveram de travar lutas idênticas em condições mais adversas, mas que, em muitos locais do mundo se mantêm quase dois séculos depois das primeiras fotografias terem sido tiradas.

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A Coleção de fotos recolhidas por Hugh Nini & Neal Treadwell é uma mostra de amor documentada fotograficamente. Aos protagonistas, os casais apaixonados, não passou, com certeza, pela cabeça que um dia, as suas fotos secretas, testemunhos de quanto eles significaram um para o outro, seriam publicadas num livro e testemunhariam o amor entre homens através dos tempos.

A câmara [fotográfica] foi inventada em 1939 por Fox Talbot. Nos meros trinta anos que sucederam à invenção deste aparelho de elites, a fotografia era usada com fins policiais, reportagem, reconhecimento militar, pornografia, documentação enciclopédica, álbuns de família, postais ilustrados, registos antropológicos (frequentemente, tal como foi o caso dos índios dos Estados Unidos, acompanhado por genocídio), moralização sentimental, sondagem inquisitiva (nomeada incorretamente de câmara cândida), efeitos estéticos, reportagem jornalística e retrato formal.

John Berger: Understanding a Photograph

Surpreendente seria se, nesses meros trinta anos e nos outros que se seguiram,  a fotografia não tivesse sido também utilizada para documentar e testemunhar o amor.

Todas as fotografias foram disponibilizadas por cortesia de Hugh Nini e Neal Treadwell.

publicado às 19:04

Masterclass de Fotografia de Rua

~ 30 minutos com Nick Turpin ~

A Cidade de Londres pediu a Nick Turpin — @the_nick_turpin — que produzisse um vídeo introdutório à fotografia de rua. O resultado foi uma Masterclass de fotografia de rua, com a duração de 30 minutos que podes ver abaixo. Nick introduz-nos alguns conceitos básicos deste género fotográfico, como a fotografia cândida obtida num espaço público e a importância fundamental da composição no contexto de uma grande cidade, como o é Londres. Antes de terminar, o fotógrafo deixa-nos três tarefas que nos incentiva a partilhar no Instagram, usando a hashtag #ourcitiytogether e a conta @visitthecity.

Street Photography Master Class with Nick Turpin

Nick Turpin — www.nickturpin.com — é um fotógrafo de rua britânico, sedeado em Londres. Em 2000, Turpin estabeleceu o primeiro coletivo internacional de fotografia de rua o iN-PUBLiC — in-public.com.

publicado às 16:58

O perdão ao belo

Susan Sontag, no seu ensaio sobre fotografia intitulado O Heroísmo da Visão, alerta-nos para os perigos da beleza na fotografia. A fotografia é sempre bela! Mesmo a fotografia que busca revelar uma realidade cruel e dura tem impacto no observador, porque é bela. Esta beleza pode, sobretudo a longo prazo, neutralizar as emoções e comprometer a documentação e o manifesto social, intenções iniciais do fotógrafo.

Nas palavras da autora,

Numa sociedade de consumo, mesmo as fotografias mais bem-intencionadas e devidamente legendadas acabam sempre por revelar beleza. […] As protegidas classes médias das regiões de maior abundância, onde são tiradas e consumidas a maior parte das fotografias, conhecem os horrores do mundo sobretudo através da câmara: as fotografias podem causar e causam angústia. Mas a tendência esteticizante da fotografia é tal que o meio que comunica a angústia acaba por a neutralizar. 

Susan Sontag
publicado às 06:02

Sobre...

Sobre o autor

Não, não sou um fotógrafo profissional; sou um professor de física e química, com 53 anos (à data da escrita), apaixonado pela fotografia, desde a adolescência. Os meus primeiros contactos com a fotografia com vista para a parte de trás da câmara remontam ao início dos anos 80, durante a escola secundária. Na Escola Secundária Padre Alberto Neto, em Queluz, junto ao laboratório de química, havia uma pequena câmara escura onde podíamos revelar alguns dos nossos rolos. Infelizmente, era um passatempo caro e, apesar da minha prelação, foi sempre uma atividade ocasional.

Mais tarde, com as possibilidades do digital, a minha dedicação à fotografia pode desenvolver-se. Há uns anos, descobri a Fotografia de Rua e Bruxelas, onde vivo, tornou-se o palco perfeito para abraçar esta atividade com uma dedicação autêntica. Julgo que acabei por me viciar um pouco neste género fotográfico. Saio frequentemente para fotografar e devoro livros sobre o tema.

Quando se faz algo por hobby, significa que se gasta mais dinheiro com isso do que se ganha. E é esse o meu caso. É o que sou: um fotógrafo amador e autodidata e um amante da fotografia; um amante da Fotografia de Rua e um fotógrafo de rua amador. Mas, ser amador não é necessariamente uma desvantagem. Ser amador permite um grau de liberdade na criatividade e na expressão através da fotografia a que um profissional nem sempre se pode dar ao luxo. Isto não conduz, necessariamente, a uma melhor qualidade do trabalho produzido. Porém, são inegáveis os bons momentos passados na rua com a câmara na mão.

É um prazer ser um flâneur nas ruas da cidade onde vivo e nas ruas das cidades e locais que visito.


Sobre o blogue

Este é um blogue sobre fotografia de rua (FdR) ainda que possa abeirar outros áreas da fotografia que, direta ou indiretamente, se relacionem com a FdR. Nem poderia ser de outra maneira, já que a FdR é um género fotográfico construído de interseções de géneros fotográficos variados. Um dos mais difíceis de definir, com certeza, mas também. Como afirma Brian Lloyd Ducket, um género fotográfico capaz de estimular as emoções como nenhum outro.

Um dos objetivos deste blogue é dar a conhecer a FdR, que se tornou numa paixão; talvez mesmo numa obsessão. Mas gostaria que fosse, antes de mais, um espaço de aprendizagem, tanto para o leitor que, espero, possa disfrutar do que aqui escrevo, mas também (talvez mesmo, sobretudo) para mim. Para mim porque a escrita obriga à leitura e à reflexão, processos fundamentais na aprendizagem autónoma, como tem sido sempre o meu caso no contexto da fotografia.

Há, também, a questão da língua. Quero dar o meu contributo para divulgar a FdR na língua portuguesa. Não só para que se fale em português sobre FdR, mas também como consolidação de um ato individual de apropriação de um género fotográfico e artístico que quero expressar na minha língua, apesar de a aprendizagem ter sido desenvolvida em inglês.

Quanto à fotografia de rua, sim pode ser, de facto, difícil de definir, mas quando a vejo reconheço-a; talvez pela forma como estimula as minhas emoções.

Boas leituras.

Bruxelas, 29 de outubro de 2020.

 

publicado às 00:00

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